A Casa Casuarina ocupa um terreno em declive numa das encostas do Rio, e é a topografia que organiza o projeto. A garagem se enterra no ponto mais baixo, sustentando o platô de onde a casa se levanta, e o jardim escorre em torno dela até a curva da rua. O que se vê de fora é um embasamento maciço que segura a casa no morro.
Sobre esse apoio, a casa se resolve em volumes de concreto aparente, cortados por grandes panos de vidro e amaciados por brises de madeira. Os brises fazem dois trabalhos ao mesmo tempo: filtram o sol da tarde e quebram a severidade do concreto, dando à fachada uma textura que muda ao longo do dia.
Toda a orientação dos ambientes sociais responde a um mesmo gesto: enquadrar a paisagem. De um lado, o Corcovado. Do outro, a Baía de Guanabara. Os estares se abrem para esses dois cartões postais, e a casa deixa de competir com a vista para trabalhar como moldura dela.